Bulldozer com estofos de veludo

homens falando de mulheres

25.1.05

Será científico?

O tema da justiça relativa do acto sexual - quem domina quem, quem sai mais satisfeito, quem tem mais 'oportunidades de encantamento' - não será, confesso, um dos meus predilectos, sobretudo porque acredito muito na singularidade de cada situação e na cumplicidade de cada dueto (trio ou quarteto são, para mim, só imagens de contemplação pessoal adolescente!).
De qualquer forma, há sempre quem persista.
E há mesmo quem avance uma possível avaliação científica.
Achei útil abrir o assunto à discussão.

Viver da comparação

As mulheres vivem, em permanência, no paradigma da comparação.
Dir-se-á - naturalmente no feminino - que os homens também comparam porta-chaves, companhias, destreza motora, prestação sexual e até mesmo atributos anatómicos, mas parece-me que há uma distinção determinante: são todas comparações expostas, externas (além disso, não é a isso que aqui venho!).
As mulheres vivem, em permanência, no paradigma da comparação.
Começam, muito jovens, comparando-se uma às outras...as minhas nádegas são mais largas, o meu peito é menor, o meu cabelo...ai o meu cabelo, sempre uma miséria. Numa fase da vida em que os homens falam de gajas e (eles sim!) as medem e comparam todas, as mulheres não fazem o inverso. Ou, pelo menos, não o fazem com a mesma intensidade que dedicam à 'equipa da casa'.
As mulheres vivem, em permanência, no paradigma da comparação.
Quando se casam e têm filhos, as mulheres transportam esse modus operandi para o seu relacionamento com os inocentes: "vês António, o coisinho é que se porta bem"; "olha-me para esse cabelo, filho...és mesmo igual ao teu pai!"; "porque é que não és como o fulanito de tal?" (a minha favorita pessoal!)...e por aí adiante.
As mulheres vivem, em permanência, no paradigma da comparação.
Durante toda a vida adulta as mulheres comparam-se umas às outras, comparam os filhos, comparam os maridos, comparam preços, comparam salários, comparam sapatos e comparam cabeleireiros.
As mulheres vivem, em permanência, no paradigma da comparação.

7.6.04

Voltando à memória

Há coisas às quais não se dá importância e que, consequentemente, nunca integram a primeira linha de memória. O que me parece problemático é que, para homens e para mulheres essas coisas sejam não só diferentes como, em muitos casos, quase opostas. Ou seja, algo a que nós homens não damos importância nenhuma figurará no top 5 das preocupações diárias de uma mulher, o mesmo se podendo dizer do inverso.
Vou recorrer a dois lugares comuns, mas são a prova que tenho.
Tecnologia: Por mais que se repita uma instrução ou se liste uma série de passos de um processo, sabemos sempre que algum tempo depois a pergunta vai surgir de novo. Às vezes, com requinte de disfarce - "Explica-me só isto...que eu não percebi muito bem" - às vezes com traços de desresponsabilização - "Não percebi nada do que disseste antes...explicaste tudo mal" - e outras ainda com um misto de desprezo e desvalorização do conhecimento alheio - "Diz-me lá isto...anda lá, que não tenho tempo!".
Orientação em movimento: Ter um mapa na mão e, ao mesmo tempo, disponibilidade para o observar com atenção não equivale a 'missão cumprida'. Em muitos casos, o mapa é um adereço incómodo e a disponibilidade não pode ser total porque se repartem atenções com uma 'condução virtual' permanente.
O que fazer - aprender a viver com a desadequação. E, no mais das vezes, a ligar à terra.

3.6.04

Vamos quotisar

Ai valha-nos Deus... o problema não é os homens precisarem de quotas para entrarem em medicina. O verdadeiro problema é haver uns gajos que admitem isso desalmadamente e prometem lutar pelo assunto. Fazem-no com alguma cautela, honra lhes seja feita, dizem que é um problema polémico que se fala "à boca pequena". Sim, quem é que depois vai mexer nas gaitas dos doentes? Porque médicos homens dispostos a sacrificar o seu almoço para frinchar um ventre, sempre os houve, agora uma doutora a pegar no penes dum senhor doente? Está visto que é uma coisa em vias de extinção. E depois, quem é que nos trata do viril membro? (gosto deste eufemismo, acho que é do Bocage, grande homem) Se bem que... pensando bem, isso poderia resolver muitos problemas de disfunção eréctil "ó Maria, a sério que a senhora doutora tinha resolvido o problema, lá funcionou, aqui em casa é que não, se calhar é da luz. É melhor apagares. E depois diz "diga 33" está bem? Não sei porquê, lembrei-me". Mas esta desculpa de as mulheres não irem para urologia tem a mesma eficácia que os discursos do presidente da república. Desculpem lá, colegas machos, mas isto denota medo. Eu diria mesmo um cagaço descomunal e impudorado de acabarmos todos a lavar retretes, a sermos reduzidos à condição "masculina", a termos de fazer mesas redondas para promover os direitos do homem (com h pequeno), e a aderirmos a pequenos partidos de extrema esquerda que nos prometam a igualdade. Estaremos perdidos?

http://jornal.publico.pt/publico/2004/06/02/Sociedade/S01.html

24.3.04

A paragem...e a Primavera

A paragem, antes de tudo. Injustificável.
Temos todos muitas vidas, mas corremos o sério risco de sermos comparados aos jogadores do Sporting em Vila do Conde. E isso será, por certo, um exagero que não queremos merecer.
Portanto, o remédio é um só - alargar o tempo ao tempo disponível, disciplina à Mourinho (para me manter fiel às imagens do mundo da bola) e dedilhar postulações plenas de sentido e oportunidade.
Ora a oportunidade leva-me, pé ligeiro, ao tema de relançamento - a Primavera.
Todos os anos dizemos o mesmo - ai estes primeiros dias de calor que nunca mais acabam!
Mulheres de todo o tipo e de todas as idades embarcam num frenesim que envolve três movimentos paralelos: frequência de um ginásio, compra de roupa 'mais fresca' e retomar de 'uma pequena dieta'. Entram em 'external improvement mode' e não há forma de as parar - neste, como noutros momentos, a razão não se vê procurada nem achada. No mais das vezes, porém, tudo isto é feito, não para impressionar o macho (tendencialmente mais barrigudo e com menos cabelo do que na Primavera anterior), mas antes por uma questão de comodidade pessoal - rematada com a original frase "para me sentir melhor comigo própria".
Ainda que, para algumas profissões (estivador ou operário da siderugia, por exemplo) o risco de assistir ao iniciar deste processo seja menor, profissões outras há que, pela sua natureza, não conseguem esquivar-se à exposição aos perigos da carne descoberta/levamente tapada e aprimoradamente enrijecida. E, para esses, o salário dos meses de Março e Abril (pelo menos) deveria incluír uma espécie de subsídio de risco.

21.3.04

Longa paragem: chegou a primavera

A estagnação tem dominado o bulldozer. A natureza, essa, não espera, e a primavera está à porta. Altura em que por excelência o macho se torna vítima dos estratagemas bem afinados da procriação. A temperatura sobe. A área descoberta da fêmea aumenta. As feromononas misturam-se com o inebriante odor das buganvílias. Os pequenos acidentes rodoviários, que no inverno sempre têm a justificação fácil do piso escorregadio, da chuva, agora só se podem explicar pelo facto de o condutor ir entusiasmado a olhar para o passeio. E lá vai o pára-choques. Mais o bónus do seguro. De onde é que elas saíram? Como conhecem tão bem os nossos pontos fracos? E já morenas? Ou serão ainda meias? Pois são. Mas ficam tão bem.

20.1.04

assembleia geral

Nada de muito profundo.
Apenas a indicação - como se, convivendo com o perplexo2, isso fosse necessário! - de que a segunda assembleia geral do grémio da perplexidade está marcada para o próximo sábado, dia 23.
Concentração às 20h00 no lugar do costume.

12.1.04

Maldito cromossoma

A seudona Rita Ferro apresenta esta semana no expresso uma teoria gira que explica a estupidez de se terem construído dez estádios mais respectivos acessos para o Euro 2004: A culpa é do testículo, ou se quisermos ser mais clínicos, é do cromossoma Y. Tá giro, tá sim senhora. Eu, pelo menos, gostei. Gosto de teorias simples e que expliquem as coisas de forma limpinha. Os homens ficam tolinhos com a bola, os homens mandam no país, logo os homens decidiram gastar cegamente a nota toda nos estádios (800 milhões de euros, diz a Rita, e que, pelas minhas contas, dá para sustentar um hospital grande, ou a Universidade do Porto durante 15 anos) e as mulheres não os conseguiram demover. Apesar de sexista (e apesar de a Rita enunciar a teoria "sem querer ser sexista") a teoria tem pinta. A Rita vai até buscar um delicioso aforismo que recita "A diferença entre um homem e uma criança é o preço do brinquedo". Na mouche. A Rita iliba assim as mulheres de quaisquer culpas na dita cuja trapalhada do Euro. E faz muito bem, de facto acho que nem a Dra. Fátima Felgueiras tem alguma culpa disto. Vai ainda mais longe. Começa a crónica elogiando a Dra. Manuela Ferreira Leite. Digamos que nos tempos que correm, é de mulher. Eu estava a achar aquele elogio do quadradismo contabilístico um pouco estranho, quando percebi onde a Rita queira chegar. Tratava-se de mostrar como as mulheres teriam tratado o assunto: com rigor e sem brincadeiras. O problema desta teoria é que explica muitas outras coisas, como por exemplo a guerra no Iraque ou mesmo a segunda guerra mundial. Homens, pff! Se não fosse o Adolfo querer brincar aos escuteiros, ou o George querer ir à trolha aos gajos para brincar com os aviões dele, nada disto teria acontecido. E mais ainda, o próprio Saddam nunca se teria metido a comprar brinquedos caros aos Estados Unidos, e tudo seriam rosas. Reparem, não há cá políticos incompetentes à caça de voto que se metem nas coisas sem fazer as contas ao certo (segundo a Rita), nem ditadores psicopatas, nem política internacional podre (abusivos corolários meus). Não. Só homens. Tudo homens. Uma imensa falocracia que atravessa democracias e ditaduras, tempos bons e tempos maus, onde as mulheres são sempre as vítimas arrastadas pela insanidade Y. Esses homens que vêm extensões fálicas nos seus carros (matando-se nas estradas) nos seus mísseis (espalhando o terror) nos seus estádios (para quê, meu Deus, para quê?) sempre esbajando a riqueza que todos (plural pan-sexual) construímos. Há ainda os homens que se babam com os coupet cabriolet, com os televisores de plasma, os pda’s ou os combóios elétricos, estourando os orçamentos familiares. Os que correm nos ralis, os que fazem parapente e os que gostam de ultraleves. Tudo brinquedos caros. Point given, dona Rita. Isto é de facto muito masculino. Mote de reflexão, porque gostam tanto os homens de brinquedos, e porque não vão antes brincar com a pilinha? Outro mote, como seria a vaginocracia? Sem o deslumbramento do brinquedo, o que marcaria o reinado das mulheres? Contra a exuberância do matcho, sempre disponível para o estardalhaço, como nos guiaria a sensibilidade da fêmea? O seu ponderado saber, a sua maturidade exercida precocemente desde os sete anos e meio? Seria a cegueira da bola substituída pela vertigem das compras? Iria a ministra da administração interna perder a cabeça e gastar um dinheirão em fardas elegantes para as suas guardas nacionais republicanas? Iríamos ter os hospitais excessivamente floridos e jóias caras de empresa (em vez de carros)? Diria a Rita, e com razão, que se trata de uma caricatura. Pois. Eu também não gasto dinheiro na bola, apesar de gostar muito. Não sou sócio, não vou ao estádio, não tenho sporttv nem leio o record. Também não compro tintas sotinco. Não é porque tenha alguma coisa contra. Mas eu é mais barbot. Mas entretanto, ou eu me engano muito, ou os gajos (e tem razão a Rita, eram todos gajos, acho que a Elisa Ferreira e a Maria de Belém não foram consultadas) que se deixaram iludir foram vassourados. Por essas e por outras. Talvez tenha sobrado algum varonil presidente de câmara. Teriam sido só as mulheres a correr com eles? Bom, concerteza ajudaram.